O mês é janeiro, o ano é 2011 e o
local é a Gávea, sede do Clube de Regatas do Flamengo. Ronaldinho Gaúcho é
apresentado pela Presidenta Patrícia Amorim com status de grande estrela, festa
regada de samba, presença de astros da música como Dudu Nobre, Diogo Nogueira,
do futebol como o assumido flamenguista de coração Vagner Love, atores famosos,
50 mil torcedores e todos os requintes que se podem incluir como o que é
chamado de “recepção calorosa”, banhado pelas frases ditas pelo próprio
Ronaldinho: “Flamengo é Flamengo” e “é de arrepiar”, frases estas, estampadas
com sua imagem na parede da sede do clube, acompanhado de quadro com foto do
jogador na mesa da presidente. Na teoria era o início de uma nova era no clube,
a solução para todos os problemas administrativos pela força do seu marketing,
promessa de títulos e injeção de esperança nos sonhos dos torcedores
rubro-negros, pelos próximos quatro anos de contrato do jogador com o clube.
O mês é junho, o ano é 2012 e o
local é o mesmo. Ronaldinho sai do Flamengo pela porta dos fundos. Nem de longe
lembrava toda aquela avalanche de sua chagada e bajulações da presidente. Fim
melancólico de um casamento que parecia ter final feliz, jogado ao ar como
os confetes do carnaval usados em sua recepção. Em campo, recebeu a
honrosa camisa 10 e a braçadeira de capitão. Era o comandante da tropa. No
campo, Ronaldinho alternou bons e maus momentos. Não podemos dizer que ele
desaprendeu a jogar. Ele sabe fazer isso como poucos. É um dos maiores da
história. Se jogar 10 ou 15% do que sabe faz toda a diferença. Lembrou o craque
imbatível, talentoso e genial dos tempos de Barcelona, na épica partida contra
o Santos na Vila Belmiro, que mesmo sendo uma das melhores partidas da carreira
de Neymar, Ronaldinho o superou e conseguiu ser melhor do que o craque do
Santos neste jogo, no jogo contra o Grêmio no Engenhão, no gol contra o Avaí no
mesmo estádio, no golaço feito diante do Real Potosí que classificou o Flamengo
para a fase de grupos da Libertadores passando a bola entre as pernas do
adversário e tocando na saída do goleiro, e em algumas outras partidas.
Ronaldinho voltou à seleção, alimentou a esperança do povo brasileiro na
formação de dupla com Neymar, foi decisivo em alguns jogos, e pronto. Acabou.
Ficou desanimado no clube, sem receber e desconfortável. Daí pra frente
começaram a surgir como pragas as notícias negativas sobre seu comportamento.
Era notícia de relacionamento desgastado com o então técnico do Flamengo
Wanderlei Luxemburgo, noitadas, ressacas, mulheres na concentração e tantas outras que acabaram com a demissão do Luxa. Veio a
chegada de Joel e as notícias foram as mesmas.
Ronaldinho sai do Flamengo por
motivos de salários atrasados. Vamos entender uma coisa: TODOS os times
pequenos, médios e grandes do futebol brasileiro atrasam seus pagamentos. Uns
em maiores proporções, outros em menores. Mas todos sempre devem alguma coisa.
O problema é que na hora de o jogador assinar seu contrato, nenhum clube
escreve no documento que: “aqui você
poderá ter seu pagamento atrasado e blá blá blá”. E se isso fosse feito no
Flamengo, a coisa funcionaria pior do que em qualquer clube no Brasil: “Aqui no Flamengo você conviverá com
salários atrasados, sua imagem vai ser exposta na mídia, pois aqui toda e
qualquer notícia vaza para a imprensa divulgar, porque existem picuinhas e
brigas internas políticas, o próprio clube te queima e queima a imagem do
clube, tem gente se beneficiando à custa do Flamengo... etc, etc, e etc...”.
Não é todo dia que o Flamengo vai encontrar um Vagner Love, um Petkovic,
que mesmo sabendo da imbecil e descomprometida administração que o Flamengo
tem, vão fechar contrato com o clube só porque o amam. Certa vez Márcio Braga,
ex-presidente do clube, disse em uma entrevista se referindo a Patrícia Amorim,
que “ela conhece o clube, pois está lá desde os sete anos de idade, mas
competência administrativa é outra história”. Doa a quem doer quem não for com
a cara do Márcio Braga, e não cabe a mim questionar sobre seu passado, se ele é
certo ou errado. O fato é que o cara resumiu em pequenas palavras de uma
simples entrevista, tudo o que ocorre no Flamengo e, que muitos estão a
anos perguntando sem achar resposta ou fingindo que não sabem. O Flamengo só
está sendo grande da porta da Gávea para fora. Ali dentro existe uma podridão
que parece não ter fim. O clube não é levado a sério por aqueles que o
administram. Adivinha quem sofre com isso? O torcedor, este que tem muita fé e
acredita até o fim. Sentimento este, que não é digno das sujeiras que fazem
parte da diretoria.
Ronaldinho sai do Flamengo, assim
como Zico saiu quando administrava em 2010, Andrade, Adílio, Petkovic e tantos
outros. O Flamengo se desfez de pessoas que sentem acima de tudo, amor pelo
clube. Fora Ronaldinho, são pessoas que participaram da gloriosa história do
Flamengo. Que fazem parte desta história. O Flamengo tem uma dívida de gratidão
impagável com eles. Um desrespeito inaceitável. Será que o problema está
neles ou na diretoria? Não se pode esconder a sujeira debaixo do tapete.
Ao Ronaldinho, que encontre o bom
futebol esquecido em algum lugar desde 2006, visto em lampejos ultimamente. Aos
incompetentes membros da diretoria do Flamengo, um ironicamente obrigado por
tanta vergonha causada aos seus torcedores.
Saudações Rubro-Negras.

O que estraga o time do Flamengo e a maioria dos times Cariocas são esses bandos de corruptos .
ResponderExcluirPÔ MEU AMIGO O SEU BLOG ESTA BOM DE MAIS .. EI VC TEM E QUE FAZER FACULDADE DE JORNALISMO E MÃO DE ENGENHARIA AMBIENTAL.... HÁ SEDE UM ESPAÇO PARA O TIME AQUI DA RUA VAINAMARRA CONTO COM VC ASS. DD
ResponderExcluirFaculdade de jornalismo é? Rsrs! Até que não seria uma má idéia. Quanto ao "espaço" para o time, como seria? Abraço e obrigado pelo apoio.
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