Acelino Popó
Rocky Balboa Freitas.
Em algum momento da vida, parece que estamos vivendo uma
espécie de longa-metragem da vida real. Quantas vezes já ouvimos relatos de
pessoas comuns que poderiam muito bem terem uma parte da sua vida mostrada
através de um filme. Geralmente são histórias de superação em um momento
difícil da vida ou um ato de coragem. No dia 02 de junho de 2012, Acelino
“Popó” Freitas, viveu esse momento de passagem de vida real para vida fictícia.
Só que o lado da vida fictícia de Popó, foi real.
Quero deixar claro que quando tivemos a idéia de montar este
blog, a intenção era somente comentar futebol e lutas de MMA. E ainda continua
sendo. Mas por tudo o que representou a luta entre Popó e Michael Oliveira,
abro exceção para comentar sobre esta luta de Box.
Há muito tempo não me interessava em assistir uma luta de
Box. Desde os tempos em que ficava madrugadas acordado para assistir as lutas
de Mike Tyson, quando pude ver o reinado do próprio Popó e, por ultimo uma luta
que achei interessante entre Evander Holyfield contra o russo Nikolai Valuev,
não me empolgava tanto com uma luta deste gênero. Até que vejo a notícia de que
Acelino Popó Freitas resolveu sair da aposentadoria para fazer uma luta de
despedida, a pedido de seu filho que gostaria de ver o pai lutando, e aceitar o
desafio lançado pelo jovem e promissor pugilista e também brasileiro Michael
oliveira, que estava invicto e vinha de 17 vitórias.
Michael Oliveira
nasceu em São Paulo, veio de família rica e foi ainda bebê morar nos Estados Unidos.
Teve toda a estrutura para se tornar atleta de alto nível com o apoio
financeiro do pai, que também é responsável pelo gerenciamento de sua carreira
. Popó viveu o contraste do que foi a vida de Michael. Nasceu em Salvador na Bahia,
numa família pobre, em um bairro da periferia, morava num casebre que media um
pouco mais de 6 m², que tinha pedaços de pano como divisórias. O filho de “Seu
Babinha” contrariou as estatísticas, venceu na vida e se tornou tetracampeão
mundial de Box. Michael Oliveira ao desfiar Popó, se deixou obscurecer pela
vontade de aparecer, muito mais do que pela vontade de ser reconhecido pelo que
fez. Não é assim que fazem os campeões. Tentou acelerar um processo que surge
naturalmente em reconhecimento do esforço, da vontade e do trabalho duro.
Aproveitou o bom momento na carreira para chamar um “velho”, aposentado e reconhecido
lutador de passado glorioso, para usá-lo como trampolim, chamar a atenção da
mídia, ganhar uma luta “fácil”, afinal ele tem 22 anos, seu adversário tem 36 e
já estava a cinco anos e dois meses parado, para alavancar sua carreira de
forma forçada e desnecessária. O desafiado aceitou a luta mesmo que naquele
momento se encontrava teoricamente em total desvantagem. Não estou falando do
sexto filme da série “Rocky Balboa”, não se confunda. O fato aqui é que Michael
não desafiou um lutador qualquer. Desafiou Acelino Popó Freitas. Desta forma,
estava apenas despertando a antipatia do povo brasileiro que tem Popó como
ídolo nacional, do que propriamente conseguindo um grande feito para a sua
carreira. Ao contrário do que se esperava, o “moleque” foi lá e tomou porrada.
O homem ensinou ao menino como é que se faz. Popó deu uma aula de Box para
Michael Oliveira. Nocaute espetacular no nono round! Talvez muita gente possa
pensar que Popó enfrentou seu maior desafio durante sua carreira vitoriosa com
quatro títulos mundiais, 41 lutas, apenas 2 derrotas, 39 vitórias, sendo 33
por nocaute. Não foram seus adversários seus maiores desafios. Foi bem lá trás
no seu passado difícil que ele colheu frutos em terra seca e venceu seu maior
desafio: a batalha da vida. Todas as vezes que sobe ao ringue, Popó lembra da
infância pobre e do quanto lutou para está ali. Um filme de toda a sua vida
passa pela sua mente em segundos. Daí em diante seus adversários tornam-se
pequenos comparados aos desafios vividos pelo baiano. Michael oliveira apesar
de promissor em sua carreira de lutador, não vai chegar aonde Popó chegou.
Se Michael for consciente, deverá agradecer Popó pelo que
fez com ele, e aproveitar sua derrota como lição de vida.
Popó se despede vitorioso, venceu a luta pelo seu filho, pela
infância pobre, pela humildade e pelo povo brasileiro.
Valeu Popó!

