quarta-feira, 11 de julho de 2012


Acelino Popó Rocky Balboa Freitas.

Em algum momento da vida, parece que estamos vivendo uma espécie de longa-metragem da vida real. Quantas vezes já ouvimos relatos de pessoas comuns que poderiam muito bem terem uma parte da sua vida mostrada através de um filme. Geralmente são histórias de superação em um momento difícil da vida ou um ato de coragem. No dia 02 de junho de 2012, Acelino “Popó” Freitas, viveu esse momento de passagem de vida real para vida fictícia. Só que o lado da vida fictícia de Popó, foi real.

Quero deixar claro que quando tivemos a idéia de montar este blog, a intenção era somente comentar futebol e lutas de MMA. E ainda continua sendo. Mas por tudo o que representou a luta entre Popó e Michael Oliveira, abro exceção para comentar sobre esta luta de Box.

Há muito tempo não me interessava em assistir uma luta de Box. Desde os tempos em que ficava madrugadas acordado para assistir as lutas de Mike Tyson, quando pude ver o reinado do próprio Popó e, por ultimo uma luta que achei interessante entre Evander Holyfield contra o russo Nikolai Valuev, não me empolgava tanto com uma luta deste gênero. Até que vejo a notícia de que Acelino Popó Freitas resolveu sair da aposentadoria para fazer uma luta de despedida, a pedido de seu filho que gostaria de ver o pai lutando, e aceitar o desafio lançado pelo jovem e promissor pugilista e também brasileiro Michael oliveira, que estava invicto e vinha de 17 vitórias.

 Michael Oliveira nasceu em São Paulo, veio de família rica e foi ainda bebê morar nos Estados Unidos. Teve toda a estrutura para se tornar atleta de alto nível com o apoio financeiro do pai, que também é responsável pelo gerenciamento de sua carreira . Popó viveu o contraste do que foi a vida de Michael. Nasceu em Salvador na Bahia, numa família pobre, em um bairro da periferia, morava num casebre que media um pouco mais de 6 m², que tinha pedaços de pano como divisórias. O filho de “Seu Babinha” contrariou as estatísticas, venceu na vida e se tornou tetracampeão mundial de Box. Michael Oliveira ao desfiar Popó, se deixou obscurecer pela vontade de aparecer, muito mais do que pela vontade de ser reconhecido pelo que fez. Não é assim que fazem os campeões. Tentou acelerar um processo que surge naturalmente em reconhecimento do esforço, da vontade e do trabalho duro. Aproveitou o bom momento na carreira para chamar um “velho”, aposentado e reconhecido lutador de passado glorioso, para usá-lo como trampolim, chamar a atenção da mídia, ganhar uma luta “fácil”, afinal ele tem 22 anos, seu adversário tem 36 e já estava a cinco anos e dois meses parado, para alavancar sua carreira de forma forçada e desnecessária. O desafiado aceitou a luta mesmo que naquele momento se encontrava teoricamente em total desvantagem. Não estou falando do sexto filme da série “Rocky Balboa”, não se confunda. O fato aqui é que Michael não desafiou um lutador qualquer. Desafiou Acelino Popó Freitas. Desta forma, estava apenas despertando a antipatia do povo brasileiro que tem Popó como ídolo nacional, do que propriamente conseguindo um grande feito para a sua carreira. Ao contrário do que se esperava, o “moleque” foi lá e tomou porrada. O homem ensinou ao menino como é que se faz. Popó deu uma aula de Box para Michael Oliveira. Nocaute espetacular no nono round! Talvez muita gente possa pensar que Popó enfrentou seu maior desafio durante sua carreira vitoriosa com quatro títulos mundiais, 41 lutas, apenas 2 derrotas, 39 vitórias, sendo 33 por nocaute. Não foram seus adversários seus maiores desafios. Foi bem lá trás no seu passado difícil que ele colheu frutos em terra seca e venceu seu maior desafio: a batalha da vida. Todas as vezes que sobe ao ringue, Popó lembra da infância pobre e do quanto lutou para está ali. Um filme de toda a sua vida passa pela sua mente em segundos. Daí em diante seus adversários tornam-se pequenos comparados aos desafios vividos pelo baiano. Michael oliveira apesar de promissor em sua carreira de lutador, não vai chegar aonde Popó chegou.

Se Michael for consciente, deverá agradecer Popó pelo que fez com ele, e aproveitar sua derrota como lição de vida. 

Popó se despede vitorioso, venceu a luta pelo seu filho, pela infância pobre, pela humildade e pelo povo brasileiro.

Valeu Popó!

quinta-feira, 7 de junho de 2012

Saindo Pela Porta dos Fundos

O mês é janeiro, o ano é 2011 e o local é a Gávea, sede do Clube de Regatas do Flamengo. Ronaldinho Gaúcho é apresentado pela Presidenta Patrícia Amorim com status de grande estrela, festa regada de samba, presença de astros da música como Dudu Nobre, Diogo Nogueira, do futebol como o assumido flamenguista de coração Vagner Love, atores famosos, 50 mil torcedores e todos os requintes que se podem incluir como o que é chamado de “recepção calorosa”, banhado pelas frases ditas pelo próprio Ronaldinho: “Flamengo é Flamengo” e “é de arrepiar”, frases estas, estampadas com sua imagem na parede da sede do clube, acompanhado de quadro com foto do jogador na mesa da presidente. Na teoria era o início de uma nova era no clube, a solução para todos os problemas administrativos pela força do seu marketing, promessa de títulos e injeção de esperança nos sonhos dos torcedores rubro-negros, pelos próximos quatro anos de contrato do jogador com o clube.

O mês é junho, o ano é 2012 e o local é o mesmo. Ronaldinho sai do Flamengo pela porta dos fundos. Nem de longe lembrava toda aquela avalanche de sua chagada e bajulações da presidente. Fim melancólico de um casamento que parecia ter final feliz, jogado ao ar como os  confetes do carnaval usados em sua recepção. Em campo, recebeu a honrosa camisa 10 e a braçadeira de capitão. Era o comandante da tropa. No campo, Ronaldinho alternou bons e maus momentos. Não podemos dizer que ele desaprendeu a jogar. Ele sabe fazer isso como poucos. É um dos maiores da história. Se jogar 10 ou 15% do que sabe faz toda a diferença. Lembrou o craque imbatível, talentoso e genial dos tempos de Barcelona, na épica partida contra o Santos na Vila Belmiro, que mesmo sendo uma das melhores partidas da carreira de Neymar, Ronaldinho o superou e conseguiu ser melhor do que o craque do Santos neste jogo, no jogo contra o Grêmio no Engenhão, no gol contra o Avaí no mesmo estádio, no golaço feito diante do Real Potosí que classificou o Flamengo para a fase de grupos da Libertadores passando a bola entre as pernas do adversário e tocando na saída do goleiro, e em algumas outras partidas. Ronaldinho voltou à seleção, alimentou a esperança do povo brasileiro na formação de dupla com Neymar, foi decisivo em alguns jogos, e pronto. Acabou. Ficou desanimado no clube, sem receber e desconfortável. Daí pra frente começaram a surgir como pragas as notícias negativas sobre seu comportamento. Era notícia de relacionamento desgastado com o então técnico do Flamengo Wanderlei Luxemburgo, noitadas, ressacas, mulheres na concentração e tantas outras que acabaram com a demissão do Luxa. Veio a chegada de Joel e as notícias foram as mesmas.

Ronaldinho sai do Flamengo por motivos de salários atrasados. Vamos entender uma coisa: TODOS os times pequenos, médios e grandes do futebol brasileiro atrasam seus pagamentos. Uns em maiores proporções, outros em menores. Mas todos sempre devem alguma coisa. O problema é que na hora de o jogador assinar seu contrato, nenhum clube escreve no documento que: “aqui você poderá ter seu pagamento atrasado e blá blá blá”. E se isso fosse feito no Flamengo, a coisa funcionaria pior do que em qualquer clube no Brasil: “Aqui no Flamengo você conviverá com salários atrasados, sua imagem vai ser exposta na mídia, pois aqui toda e qualquer notícia vaza para a imprensa divulgar, porque existem picuinhas e brigas internas políticas, o próprio clube te queima e queima a imagem do clube, tem gente se beneficiando à custa do Flamengo... etc, etc, e etc...”. Não é todo dia que o Flamengo vai encontrar um Vagner Love, um Petkovic,  que mesmo sabendo da imbecil e descomprometida administração que o Flamengo tem, vão fechar contrato com o clube só porque o amam. Certa vez Márcio Braga, ex-presidente do clube, disse em uma entrevista se referindo a Patrícia Amorim, que “ela conhece o clube, pois está lá desde os sete anos de idade, mas competência administrativa é outra história”. Doa a quem doer quem não for com a cara do Márcio Braga, e não cabe a mim questionar sobre seu passado, se ele é certo ou errado. O fato é que o cara resumiu em pequenas palavras de uma simples entrevista,  tudo o que ocorre no Flamengo e, que muitos estão a anos perguntando sem achar resposta ou fingindo que não sabem. O Flamengo só está sendo grande da porta da Gávea para fora. Ali dentro existe uma podridão que parece não ter fim. O clube não é levado a sério por aqueles que o administram. Adivinha quem sofre com isso? O torcedor, este que tem muita fé e acredita até o fim. Sentimento este, que não é digno das sujeiras que fazem parte da diretoria.

Ronaldinho sai do Flamengo, assim como Zico saiu quando administrava em 2010, Andrade, Adílio, Petkovic e tantos outros. O Flamengo se desfez de pessoas que sentem acima de tudo, amor pelo clube. Fora Ronaldinho, são pessoas que participaram da gloriosa história do Flamengo. Que fazem parte desta história. O Flamengo tem uma dívida de gratidão impagável com eles. Um desrespeito inaceitável.  Será que o problema está neles ou na diretoria? Não se pode esconder a sujeira debaixo do tapete.

Ao Ronaldinho, que encontre o bom futebol esquecido em algum lugar desde 2006, visto em lampejos ultimamente. Aos incompetentes membros da diretoria do Flamengo, um ironicamente obrigado por tanta vergonha causada aos seus torcedores.

Saudações Rubro-Negras.